21 de março de 2011

A prostituição e a Copa do Mundo de 2014: Quando vamos falar disso?


Eu me deparei com esse tema várias vezes durante a semana. Uma professora, amiga minha e militante do movimento feminista já tinha comentado o assunto comigo. Fazendo um trabalho de pesquisa no Congresso, ouvi uma deputada falar disso também. Foi aí que caiu a ficha: por que ainda não estamos falando disso?

Li em um site que houve uma grande mobilização na África do Sul, quando o país foi anunciado como a sede de 2010. A preocupação vai desde ao abuso e o tráfico de mulheres, até a migração voluntária de inúmeras prostitutas atraídas pela grande quantidade de turistas estrangeiros com dinheiro. Já me disseram que na Alemanha, mesmo com a prostituição legalizada, foram cerca de 40 mil mulheres a mais.

E no Brasil, como deve ser? Natal, por exemplo, é cidade-sede da copa. Algumas reportagens já fizeram denúncias de como a questão da prostituição já é um problema público, sem contar com uma situação excepcional como seria no caso de um grande evento internacional.A preocupação, nesse caso, não é com a recriminação à prostituição, e sim quanto à proteção que deve ser dada às mulheres. 

Segundo Verônica Maia, da Marcha Mundial de Mulheres:

O fato é que a Copa do Mundo está diretamente atrelada ao turismo sexual, atividade que tem raízes principalmente na relação entre turismo e populações carentes, já que vivemos em um modelo econômico perverso e injusto que visa exclusivamente o lucro de poucos e não se importa com a vida das mulheres. Por isso, precisamos ficar atentas para não deixarmos que a pressão dos investidores fortaleça uma posição favorável à legalização da indústria do sexo no Brasil.



Eu não acho que a prostituição seja de qualquer maneira uma forma de liberdade da mulher. Por mais que Bruna Surfistinha que ela seja, seu comportamento também é uma forma de resposta à situação de opressão. E, no caso da maior parte das prostitutas, não se trata de uma escolha. Pode parecer no início, mas ninguém pede para ser humilhada na rua diariamente, a se sujeitar a homens completamente desconhecidos, correndo o risco de ser morta a qualquer instante. 

Em eventos como a Copa e as Olimpíadas, isso vai ser ainda pior. São milhares de turistas estrangeiros exibindo a sua superioridade financeira, dispostos a conhecer as "belezas naturais" do país. Porta de entrada para exploradores internacionais de mulheres. Porta de entrada para a situação de violência generalizada contra as mulheres. Como vamos nos preparar para isso?



Update em 23 de março de 2011:


As Blogueiras mandaram uma sugestão pelo grupo de discussão que acho que casa com o post. O Emicida lançou uma música sobre as prostitutas da Rua Augusta. Embora eu não goste muito da batida do rap que ele usa (acho muito americanizado), a letra é muito boa.



Para quem ainda não conhece, Emicida é na verdade o Leandro, e o nome artístico é a fusão do "MC" com o "Homicida", que foi como ele ficou conhecido nas batalhas de improvisação. Ele tem ganhado algum destaque nos últimos anos, depois de aparecer em programas como Altas Horas e Jô Soares. Dentre as vozes do rap, é uma das que eu torço para que faça sucesso e consiga superar a segregação que tanto persiste no nosso cenário musical.

Nenhum comentário:

Postar um comentário